- SABIÁ, FUJA, SE QUISER CONTINUAR A CANTAR...
- Olha!, que canto limpinho... é sabiá! Eu conheço!
Eu caminhava sem nem mesmo ouvir, sem notar.
O estranho para, olha para galhos de árvores e aponta:
- Olha! Eu o acompanho e enxergo o dono do mavioso canto;
era admirável.
era admirável.
Fiquei feliz por tanta sensibilidade em um
homem do campo; feliz por poder ver e notar de onde
vinha aquele belíssimo canto, onde estava tão linda ave.
Consenti: - Realmente, é um belo pássaro, dono de um
belo canto...
Amanhá vou trazer minha gaiola e meu alçapão, concluiu ele.
Tristemente, fitei-o cheio de melancolia, angústia e frustração.
Olhei-o esperando que notasse a reprovação em meu olhar.
Seus olhos cruzaram os meus... Em seus olhos, vi que não
adiantava dizer, ele não notou, jamais entenderá que aquele
belo canto era motivo da liberdade, estava ligado à natureza; se
preso fosse, ainda que limpo o canto, não seria canto, só lamento.
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O amanhã nunca foi tão triste quanto aquele hoje; não tema o amanhã, faça melhor hoje.