quinta-feira, 14 de abril de 2016

Descanso de um Menino de Rua.

ERA SÓ MAIS UM NA RUA


Era só mais um, lá, deitado com os olhos semicerrados,
é só mais um semianalfabeto, jogado, deitado, braços esticados
em formato de cruz. Ao lado, em pé, há olhos molhados, vermelhos,
lacrimejados; tenta-se consolar, mas só ouço: "meu D-us, porquê?"

Os olhos que choram contrastam-se com os olhos semicerrados.
Há olhos de desprezo, há olhos curiosos, há olhos felizes, afinal
é só mais um; posso ler nas mentes de alguns: "já foi tarde".

Era só mais um preto que fugiu da escola, que gostava de jogar bola,
era só mais um garoto que cresceu soltando pipa, rodando peão, que
não gostava de ler, de aprender e de trabalhar.

Olhos o olhavam, ele nem se apercebia; quando se arrumou e saiu,
esses olhos o encontrou: pow, pow, pow!!!, ecoou o som; o silêncio,
é a morte fria, da cabeça escorria sangue quente, era a vida que se esvaía. 



terça-feira, 12 de abril de 2016

ESTRANHO

ESTRANHO

Estranho mundo que me estranha,
que mundo estranho é esse.
Estranham-me estranhos em mundo
estranho; estranho mundo esse que estranho.

Adentrei-me em estranho mundo, estranhos
nesse estranho mundo estranham-me
estranham...
Que estranho mundo é esse que me estranha?

Mundo estranho que me entranham...
Estranhos me estranham, estranho mundo.
Estranho o mundo estranho que me estranha.
Estranho... estranho mundo que me estranha.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

CONTAGEM DE TEMPO

Quem sabe o tempo não dure,
Que ele pare para eu pensar.
Volte o tempo, quero
Recomeçar.

No acerto do erro, nasceu
Tudo que hoje é. É fruto meu,
O passado fez o presente, se
Refletirá no futuro... é fruto meu.

Quem sabe o tempo não dure
suficiente para eu recomeçar,
O tempo não volta, acena, tchau.