Era só mais um, lá, deitado com os olhos semicerrados,
é só mais um semianalfabeto, jogado, deitado, braços esticados
em formato de cruz. Ao lado, em pé, há olhos molhados, vermelhos,
lacrimejados; tenta-se consolar, mas só ouço: "meu D-us, porquê?"
Os olhos que choram contrastam-se com os olhos semicerrados.
Há olhos de desprezo, há olhos curiosos, há olhos felizes, afinal
é só mais um; posso ler nas mentes de alguns: "já foi tarde".
Era só mais um preto que fugiu da escola, que gostava de jogar bola,
era só mais um garoto que cresceu soltando pipa, rodando peão, que
não gostava de ler, de aprender e de trabalhar.
Olhos o olhavam, ele nem se apercebia; quando se arrumou e saiu,
esses olhos o encontrou: pow, pow, pow!!!, ecoou o som; o silêncio,
é a morte fria, da cabeça escorria sangue quente, era a vida que se esvaía.