sábado, 10 de dezembro de 2016

MORRO


Corro, tropeço e morro

Corro, tropeço e morro descendo o morro. Se paro no morro, cambaleio, sangro e morro.

No morro, se corro tropeço e morro; se paro, sangro, suo e morro.

Morro, se corro morro. A tiro, sangro e morro.
Corro e morro; se preso, no morro, tropeço suo e morro; 
se  corro e tropeço, sangro e morro, no morro.

Corro, no morro, dão-me tiros, sangro e morro. Sangro, no morro, se corro.

Se paro, no morro, suo e morro; se corro, no morro, eu morro.
No morro, se corro, sangro e morro; 
se paro, no morro, tropeço, sangro e morro; 
se paro, no morro, tropeço e morro.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

As asas

AS ASAS

Deixe-me livre de mim, quero correr
Livre-me de ti, só quero viver
Livrai-me de todos, eu só quero viver 
dentro da melancolia, do silêncio, da tristeza, 
reflexão.

Corra de mim, ser alegre, 
Há em mim profunda
solidão. Então abraça-me?, 
Não, não quero de ti ilusão

Ouça-o, há um som, e esqueça a razão
Livra-me de mim, pensamento inquieto, 
reflexivo, soberbo, sou a essência da solidão, 
sem risos, euforia, vou-me

Lá, me vou. Não me impeça, sou 
descrente do amor, do altruísmo da vida 
Taciturno sou, entristeço teu ambiente.
Não ficarei,

Se desejar-me presente, ser alegre,
não me impeça de ir, nem me convença a ficar.
Apenas deixe-me voar, voar, voar...
Deixe-me voar, não me impeça e voarei tão alto 
que dê até para as asas queimar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A CRIANÇA, A VIDA E O TEMPO QUE PASSA, PASSA, PASSA



PASSA, PASSA, PASSA

O TEMPO QUE PASSA, PASSA, PASSA

Amanhece... todos os dias...
de segunda às sexta-feiras, fora os feriados,
eram sempre às seis horas da manhã que,
com bocejos sonolentos, sendo forçado a ir,
colocava uniforme escolar: se não faltava às aulas indo para outro lugar, ia à escola;

Eu esperava ansioso a hora da recreação, era hora de brincar e,
quando voltava da escola, rapidamente fazia a lição de casa:
era bom em língua portuguesa,
eu amava as aulas de ciências,
me saía bem em história, geografia,
estudos sociais e fazia caretas feias nas aulas de matemática.

Terminada a lição de casa, ia brincar na rua, soltar pipa, corria atrás da pipa voada, jogava pelada (futebol), jogava bola de gude, rodava peão, subia nos pés de mangueira, jaqueira, coqueiro, jambozeiro, etc... e eu estava sempre preocupado (há se os donos dos sítios me pegassem a roubar frutas de suas árvores).

O tempo passava, passava, passou... nem mesmo notei que a idade aumentava e eu já não era mais criança... Quão demorado era chegar ao final de ano naquela época?

Agora, ao acordar, me pego perguntando, há 26 anos: já acabou o ano???